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Ter um bebê na Austrália: você não precisa navegar esse caminho sozinha

Parto, escolhas, preparação e o papel da doula dentro do sistema de saúde australiano

Por Maitê Marchiori | Fundadora da MAMA OMI IYE | Doula de Parto e Pós-Parto, Sydney

Morar em outro país muda muitas coisas. Ter um filho longe do lugar onde crescemos muda ainda mais.

Para muitas brasileiras que acompanho na Austrália, a gravidez também é o momento em que começam a entrar em contato com um sistema de saúde que ainda não conhecem completamente. Surgem palavras novas, protocolos diferentes, consultas, decisões que talvez nunca tenham imaginado precisar tomar e, muitas vezes, tudo isso acontece em uma segunda língua.

Mesmo para quem fala inglês muito bem, existe uma diferença enorme entre conversar no dia a dia e tentar compreender uma informação médica durante o trabalho de parto.

E existe outra diferença que, para mim, é muito importante: entender o que está sendo dito não significa necessariamente conhecer as suas opções.

Muitas mulheres chegam à gravidez acreditando que precisam simplesmente seguir o caminho que lhes é apresentado: hospital, consultas, exames, indução, analgesia, monitoramento, parto. Como se existisse uma única sequência e o papel delas fosse apenas acompanhá-la.

Mas você pode fazer perguntas.

Pode pedir que algo seja explicado novamente. Pode perguntar por que determinada intervenção está sendo recomendada, quais são os benefícios e os riscos, se existem alternativas e, quando não há uma emergência, se existe tempo para pensar, conversar com a sua pessoa de apoio e tomar uma decisão.

Você pode ter preferências.

Pode mudar de ideia.

E pode ter pessoas ao seu lado.

É justamente nesse espaço que o meu trabalho como doula se encontra com a realidade de muitas famílias brasileiras na Austrália.

Por que nos preparamos para tantas coisas, mas nem sempre para o nascimento?

Passamos meses planejando momentos importantes das nossas vidas. Nos preparamos para entrevistas de emprego, estudamos para provas, organizamos viagens, planejamos casamentos. Pesquisamos, fazemos perguntas, procuramos profissionais e investimos tempo e recursos nessas experiências.

Mas, quando se trata do nascimento de um filho, uma das experiências mais significativas e transformadoras da vida, muitas famílias chegam ao parto sem uma preparação que vá além das consultas e dos exames de rotina.

E não estou falando apenas do primeiro filho.

Cada gestação é diferente. Cada nascimento traz suas próprias circunstâncias, desafios e possibilidades. Uma mulher que já passou por um parto pode carregar experiências positivas, dúvidas ou até traumas que merecem ser acolhidos antes de um novo nascimento.

Existe uma ideia de que o parto é algo natural e que, por isso, simplesmente saberemos o que fazer quando chegar a hora.

Mas a fisiologia do parto não elimina a importância da educação.

A preparação para o nascimento vai muito além de aprender técnicas de respiração ou posições para aliviar as contrações. É compreender como o corpo trabalha, conhecer as fases do trabalho de parto, entender as intervenções que podem ser propostas, seus benefícios, riscos e alternativas.

É saber o que pode acontecer quando o parto não segue o caminho imaginado. É aprender a fazer perguntas, preparar o acompanhante e conversar sobre medos, expectativas e experiências anteriores.

É também compreender que preparação não significa controle.

Nenhum curso, profissional ou plano de parto pode garantir como um nascimento acontecerá.

Mas existe uma diferença enorme entre enfrentar o desconhecido sem ferramentas e entrar nessa experiência com conhecimento, recursos e uma rede de apoio.

A preparação não existe para garantir um parto perfeito. Existe para que a mulher tenha mais condições de compreender e participar das decisões, inclusive quando o inesperado acontece.

Porque o nascimento não termina quando o bebê chega.

A maneira como uma mulher vivencia seu parto pode permanecer com ela por muitos anos.

E essa experiência merece atenção, respeito e preparação.

Entre o cuidado médico, a comunicação e o consentimento

Trabalho em hospitais australianos e tenho um respeito  enorme pelas parteiras, obstetras e profissionais de saúde com quem compartilho esses espaços.

Já acompanhei parteiras incríveis. Profissionais que transformaram o ambiente simplesmente pela maneira como entraram no quarto, explicaram alguma coisa, esperaram uma contração terminar antes de falar ou protegeram a dignidade de uma mulher em um momento extremamente vulnerável.

Mas também sei que nenhum sistema é perfeito.

A violência obstétrica, o desrespeito e as falhas na comunicação não pertencem exclusivamente a um país ou sistema de saúde. Podem acontecer em diferentes contextos, inclusive onde existe acesso a cuidados médicos de alta qualidade.

Nem sempre as informações são apresentadas de maneira clara. Às vezes, recomendações médicas, protocolos hospitalares e escolhas individuais acabam sendo confundidos. Uma mulher pode receber informações incompletas ou contraditórias, sentir-se pressionada a tomar uma decisão ou não compreender que existem outras possibilidades.

Em algumas situações, procedimentos podem ser realizados sem consentimento válido. Em outras, a mulher pode sentir que suas perguntas, preocupações ou preferências não foram consideradas.

E existe algo importante que precisamos compreender: falar a mesma língua não significa necessariamente estar se entendendo.

Uma mulher pode falar inglês fluentemente e ainda ter dificuldade para compreender a terminologia médica, os protocolos hospitalares ou as alternativas disponíveis.

Durante o trabalho de parto, quando existe dor, cansaço, medo ou urgência, processar informações complexas pode se tornar ainda mais difícil.

O consentimento informado não deveria ser tratado como uma formalidade. Ele envolve compreender por que um procedimento está sendo recomendado, quais são seus benefícios e riscos, quais alternativas existem e o que pode acontecer caso a mulher decida não seguir aquela recomendação.

Sempre que a situação clínica permitir, deve existir espaço para perguntas, esclarecimentos e reflexão.

Não acredito que uma doula precise se colocar contra o sistema para apoiar uma família dentro dele.

Mas também não acredito que respeitar a medicina signifique deixar de reconhecer suas limitações.

Podemos ser profundamente gratas pelos avanços da medicina e, ao mesmo tempo, defender um cuidado em que a comunicação, a dignidade e a autonomia sejam tão importantes quanto os resultados clínicos.

O papel da doula: muito além do apoio durante as contrações

Através da Mama Omi Iye, acompanho famílias durante a gestação e o parto em Sydney, inclusive dentro dos hospitais australianos.

A doula não substitui a parteira, o obstetra ou a equipe médica. Eu não realizo procedimentos clínicos e não tomo decisões pela família.

O meu trabalho ocupa outro espaço.

Um espaço de continuidade, presença e cuidado individualizado.

Durante a gestação, temos tempo para conversar sobre o parto antes de estarmos dentro dele. Podemos entender melhor como funciona o sistema, conversar sobre diferentes possibilidades, preparar as preferências para o parto, falar sobre intervenções e opções de alívio da dor, praticar posições, movimento, respiração, rebozo, contrapressão e outras formas de apoio.

Também dedico bastante tempo à preparação do  acompanhante.

Eu não quero chegar ao parto e ocupar o lugar do parceiro ou da parceira. Quero ajudar essa pessoa a entender como pode participar e oferecer apoio de verdade.

Quero que saiba onde colocar as mãos, como fazer pressão nas costas, como ajudar em uma posição, como perceber quando é hora de falar e quando é melhor ficar em silêncio.

Como oferecer água sem fazer dez perguntas.

Como estar perto sem tentar “consertar” o trabalho de parto.

Uma das coisas mais importantes que ensino aos acompanhantes é que eles não precisam salvar a pessoa que amam do parto.

Precisam aprender a permanecer com ela durante a experiência.

A presença de uma doula também pode oferecer segurança e orientação ao acompanhante, que muitas vezes está vivendo uma experiência completamente desconhecida.

E o apoio de uma doula não se torna importante apenas quando algo dá errado.

Ele também existe quando o trabalho de parto evolui naturalmente, quando a mulher encontra seu próprio ritmo, quando o acompanhante precisa de orientação ou quando o ambiente simplesmente precisa de silêncio.

A presença não precisa surgir diante de um problema para ter valor.

É oferecer continuidade, independentemente do caminho que o nascimento tomar.

Uma mulher pode desejar um parto fisiológico e depois pedir uma epidural.

O importante é que, mesmo quando o caminho muda, ela continue sendo incluída nas decisões sobre o seu próprio  cuidado.

Pode planejar uma coisa e precisar de outra.

Pode aceitar uma intervenção e ainda fazer perguntas sobre ela.

Pode mudar de ideia.

Nada disso significa fracasso.

 

Ser brasileira e dar à luz na Austrália

Para muitas brasileiras, a experiência de ter um filho na Austrália envolve muito mais do que compreender um sistema de saúde diferente.

Envolve estar longe de casa.

No Brasil, muitas de nós crescemos cercadas por uma ideia muito presente de família e comunidade. Mãe, irmã, tia, prima, amiga. Mesmo que essa rede não estivesse literalmente dentro da sala de parto, existe uma sensação de ter pessoas por perto que pode fazer muita falta quando construímos uma vida do outro lado do mundo.

Na Austrália, conheço mulheres que passam pela gravidez enquanto a mãe está no Brasil, a irmã está no Brasil, as amigas de infância estão no Brasil.

Às vezes, o parceiro ou a parceira é praticamente toda a rede de apoio disponível naquele momento.

Então precisamos construir uma nova rede.

Para mim, isso também faz parte do trabalho da doula.

É ajudar uma família a construir a sua própria rede aqui.

E, para muitas brasileiras, encontrar uma doula que compreenda nossa língua e nossas referências culturais pode fazer uma diferença enorme.

Existe uma intimidade na nossa própria língua que, muitas vezes, se perde quando estamos tentando traduzir não apenas palavras, mas decisões, medos e expectativas sobre o parto.

Ter uma doula brasileira ou que fale português pode representar muito mais do que uma facilidade de comunicação.

É poder expressar uma preocupação sem precisar primeiro encontrar as palavras certas em inglês. É conversar sobre expectativas e experiências com alguém que compreende as referências culturais que carregamos.

É ter ao lado uma pessoa familiarizada com o funcionamento do sistema de saúde australiano, que pode ajudar a preparar perguntas, compreender as opções e facilitar o diálogo com a equipe de saúde, sem substituir a interpretação médica profissional quando necessária.

Não se trata de criar uma separação entre a família e os profissionais que a acompanham.

Pelo contrário.

Trata-se de construir pontes.

E, para uma mulher que está prestes a dar à luz longe do seu país de origem, essas pontes podem fazer uma diferença  enorme.

Quando o bebê está bem, mas a mãe não está

Já ouvi mulheres contarem histórias de parto em que, clinicamente, tudo terminou “bem”, mas elas não estavam bem.

O bebê estava saudável, mas a mãe ainda estava tentando entender o que havia acontecido com ela.

Talvez uma intervenção tenha sido necessária. Talvez tudo tenha sido feito corretamente do ponto de vista clínico.

E, ainda assim, aquela mulher pode ter se sentido assustada, ignorada, apressada ou sem compreender o que estava acontecendo.

Essas duas verdades podem existir ao mesmo tempo.

Podemos ser profundamente gratas pela medicina e, ainda assim, reconhecer que tivemos uma experiência difícil.

Podemos entender que uma intervenção foi necessária e, ainda assim, sofrer pela maneira como ela aconteceu.

Podemos estar felizes porque o bebê está bem e ainda precisar dizer:

“Mas eu não fiquei bem.”

Precisamos saber ouvir isso.

Uma experiência de parto difícil ou traumática pode deixar marcas que permanecem muito além do nascimento. Algumas mulheres carregam sentimentos de medo, tristeza, raiva ou perda de confiança, que podem influenciar sua relação com o próprio corpo, com os profissionais de saúde e com futuras gestações.

Para mim, validar uma experiência de parto não significa dizer que toda decisão médica foi errada.

Às vezes, significa simplesmente dizer: eu ouvi o que aconteceu com você. Eu acredito quando você me conta como aquilo fez você se sentir.

A sua experiência também importa.

Porque a pessoa que dá à luz não é apenas o caminho pelo qual o bebê chega ao mundo.

Ela também está vivendo aquele nascimento.

E é importante reconhecer que a responsabilidade por oferecer cuidados seguros, respeitosos e baseados no consentimento pertence aos profissionais e às instituições de saúde.

A educação perinatal e o apoio contínuo podem fortalecer a autonomia e ajudar as famílias a navegar decisões, mas não garantem que experiências difíceis ou traumáticas sejam evitadas.

Nenhuma mulher é responsável pelo desrespeito ou pela violência que possa sofrer durante o parto por não ter feito um curso, preparado um plano ou contratado uma doula.

O cuidado que acontece entre as contrações

No trabalho de parto, o meu papel muda de acordo com o que aquela pessoa precisa.

Às vezes, estou com as mãos no quadril durante uma contração após outra. Às vezes, usamos o rebozo, água, movimento, massagem, acupressão ou contrapressão. Às vezes, ajudo o acompanhante a encontrar uma posição melhor para oferecer apoio.

E, às vezes, faço muito pouco.

Apago uma luz.

Abaixo a voz.

Protejo alguns minutos de descanso.

Percebo quando aquela mulher foi para um lugar muito interno e não precisa de mais uma pessoa perguntando como ela está.

Eu fico.

Esse tipo de presença faz parte do nascimento há muito tempo.

Muito antes de “doula” se tornar uma profissão, mulheres já apoiavam outras mulheres durante a gestação, o parto e o pós-parto. Parteiras tradicionais, mães, avós, tias e outras mulheres da comunidade transmitiam conhecimentos de geração em geração por meio das mãos, do toque, do movimento, da comida, dos tecidos, da observação e da presença.

Uma influência importante no meu próprio trabalho foi a formação que fiz com a parteira e educadora mexicana Naolí Vinaver, especialmente por meio de seus ensinamentos sobre práticas tradicionais de apoio ao parto e o uso do rebozo.

Uma das coisas mais importantes que carrego desse aprendizado não é uma técnica específica.

É a necessidade de observar.

Posso conhecer muitas posições, mas isso não significa que aquela pessoa precise de mais uma posição.

Posso saber usar minhas mãos, mas preciso perceber quando ela não quer ser tocada.

Posso entrar no quarto com muitas ferramentas, mas nenhuma delas é mais importante do que a pessoa que está diante de mim.

A técnica nunca pode ser mais importante do que a pessoa.

E talvez seja justamente aí que o conhecimento tradicional e o cuidado moderno possam se encontrar.

Não precisamos escolher entre respeitar a fisiologia do parto e respeitar a medicina.

Não precisamos colocar a parteira, o obstetra e a doula em lados opostos.

Cada pessoa traz algo diferente para aquele espaço.

Até quem conhece o parto precisa ser cuidada

Já tive, inclusive, a honra de acompanhar parteiras durante seus próprios partos.

Mulheres que passam a vida profissional cuidando de outras mulheres e que, quando chegou a vez delas, também quiseram ser cuidadas.

Elas conheciam a fisiologia. Conheciam a linguagem clínica. Sabiam o que estava acontecendo.

Mas, naquele momento, não queriam necessariamente estar no papel de parteira.

Queriam ser a mãe.

Queriam poder parar de analisar tudo e deixar que outra pessoa pensasse na água, na posição, no ambiente ou no que poderia ajudar durante a próxima contração.

Isso me ensinou algo que carrego comigo:

Conhecer o parto não elimina a nossa necessidade de sermos cuidadas durante ele.

E, se isso é verdade para uma parteira que passou anos trabalhando dentro do sistema, imagine o que pode significar para uma mulher tendo seu primeiro bebê em outro país, em outra língua, sem a mãe, a irmã ou a família por perto.

Mas essa necessidade de cuidado não existe apenas para quem está longe de casa.

Mesmo uma mulher que conhece o sistema, fala a língua, compreende suas opções e tem uma rede de apoio pode desejar a presença de uma doula.

Porque informação não substitui presença.

E conhecer o parto não significa que precisamos atravessá-lo sozinhas.

Construindo uma nova rede de apoio

Você não precisa navegar por tudo isso sozinha.

Você pode construir a sua rede aqui.

Pode ser o seu parceiro ou a sua parceira. Uma amiga. Uma parteira com quem você criou vínculo. Uma doula. A família presente de outras formas.

Às vezes, a nossa rede na Austrália não se parece com aquela que teríamos no Brasil, mas ela ainda pode existir.

Independentemente de onde você esteja na Austrália, vale a pena conhecer os profissionais e as redes de apoio disponíveis na sua região. Procure doulas, parteiras, educadoras perinatais e outros profissionais que compartilhem da sua visão de cuidado e respeitem suas escolhas. Converse, faça perguntas e descubra quais serviços estão disponíveis para acompanhar você durante a gestação, o parto e o pós-parto.

Se possível, comece essa busca ainda durante a gravidez. Construir vínculos e conhecer suas opções com antecedência pode fazer uma diferença enorme na maneira como você se prepara para o nascimento. E, se não encontrar esse apoio presencialmente, lembre-se de que a educação perinatal e a preparação para o parto também podem acontecer online.

Foi também dessa necessidade de criar rede que nasceu a forma como construí o meu trabalho através da Mama Omi Iye.

Quero que famílias brasileiras na Austrália saibam que o apoio no parto não precisa existir apenas quando temos nossa mãe, irmã ou família morando perto.

Podemos construir uma rede aqui.

E essa rede não está ali para decidir o parto por você.

Ela está ali para ajudar você a continuar presente dentro da sua própria experiência.

É isso que procuro oferecer às famílias que acompanho: continuidade.

Alguém que esteve com você durante a gestação e conhece as conversas que tivemos. Que sabe o que é importante para você. Que conhece o seu acompanhante e também o preparou.

Que pode entrar naquele quarto com você e continuar ali enquanto o parto muda, cresce, surpreende ou toma um caminho completamente diferente daquele que imaginamos.

Durante o parto, isso pode significar lembrar uma conversa que tivemos semanas antes, ajudar o casal a encontrar as perguntas que queria fazer, oferecer apoio físico, ajudar com posições e movimento ou simplesmente perceber que aquela mulher está sobrecarregada e ajudar a devolver um pouco de calma ao espaço.

Não estou ali para falar por ela.

Estou ali para ajudá-la a continuar encontrando a própria voz.

Alguns dos espaços de parto mais bonitos dos quais já fiz parte foram aqueles em que todos entendiam que cada pessoa trazia algo diferente para o quarto: a parteira, a equipe médica, a doula, o acompanhante, a família.

Não precisamos ocupar o mesmo papel nem carregar o mesmo conhecimento.

Precisamos apenas lembrar quem está no centro de tudo isso: a pessoa que está dando à luz.

Precisa existir espaço para a medicina quando ela é necessária, mas também espaço para o movimento e o instinto.

Espaço para ser vulnerável, mudar de ideia, ficar em silêncio ou fazer barulho.

Espaço para o acompanhante e para a família.

E, acima de tudo, espaço para a pessoa que está no centro de tudo: aquela que está parindo.

E, às vezes, o parto simplesmente precisa de tempo.

Para mim, isso é a rede.

Não um grupo de pessoas dizendo a alguém como ela deve parir, mas pessoas que sabem estar ao seu redor enquanto ela encontra o próprio caminho.

Pessoas que sabem quando se aproximar, quando dar espaço e quando simplesmente permanecer.

Talvez essa seja uma das coisas mais antigas sobre o nascimento que a doula dos dias de hoje esteja nos ajudando a lembrar.


Sobre a autora

Maitê Marchiori é australiana-brasileira, doula de parto e pós- parto certificada pelo Australian Doula College, educadora perinatal e fundadora da MAMA OMI IYE, em Sydney.

Com experiência em mais de 50 partos, acompanha famílias durante a gestação e o nascimento, oferecendo educação perinatal baseada em evidências, preparação prática para o parto e apoio físico, emocional e informativo contínuo.

Seu trabalho integra conhecimentos tradicionais de apoio ao nascimento, movimento, rebozo, acupressão e preparação de acompanhantes, valorizando o cuidado individualizado, a autonomia e a participação ativa das famílias nas decisões sobre o parto.

Maitê também realizou formação intensiva em rebozo com a parteira mexicana Naolí Vinaver.

Oferece acompanhamento presencial como doula em Sydney, além de preparação para o parto e cursos pré-natais online para famílias em toda a Austrália, em português, inglês e espanhol.

Mama Omi Iye | Sydney
mamaomiiye.com | @mama.omiiye

 

** Imagens: Arquivo pessoal Maitê Marchiori e Mama Omi Iye